Domingo, 31 de Agosto de 2025

Saúde Padroniza Abordagem para Eliminar Tracoma no Brasil: Estratégias e Parcerias

Ministério da Saúde une forças com Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular para erradicar o tracoma, com foco em aldeias indígenas.

30/08/2025 às 13:14
Por: Redação

O Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular, busca padronizar as intervenções para controle do tracoma, uma doença inflamatória ocular. A principal proposta é normatizar procedimentos cirúrgicos relacionados à triquíase tracomatosa, uma condição ocular grave resultante do tracoma.

Maria de Fátima Costa Lopes, consultora técnica da Coordenação-Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação do ministério, detalhou que a parceria envolverá a condução de técnicas cirúrgicas, pré e pós-operatório, avaliação de pacientes, encaminhamento e capacitação de oftalmologistas em áreas de difícil acesso, onde a consulta com especialistas é mais complicada.

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O governo federal tem registrado casos de triquíase tracomatosa em aldeias indígenas brasileiras e pretende unir esforços com o CBO e cirurgiões plásticos oculares para controlar a incidência e buscar a validação da eliminação do tracoma como problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Filipe Pereira, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular, considera a parceria promissora, dada a falta de dados precisos sobre o tracoma no Brasil. Ele enfatiza a necessidade de um trabalho conjunto para mapear e tratar a doença.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular propõe mapear os médicos, especialmente os credenciados no Sistema Único de Saúde (SUS), para viabilizar atendimentos e cirurgias corretivas para casos de triquíase tracomatosa.

Segundo Filipe Pereira, após um diagnóstico de erradicação que se mostrou impreciso, é crucial refazer o mapeamento e a estruturação para tratar a doença e suas sequelas.

Vilma Lelis, presidente do CBO, destaca que a criação de uma rede de referenciamento de oftalmologistas para combater o tracoma e a triquíase tracomatosa deve considerar as peculiaridades do acesso aos pacientes, principalmente em aldeias indígenas.

“O acesso a eles para fazer o diagnóstico, e o acesso deles até um centro que faça tratamento têm peculiaridades. E essas peculiaridades, a gente está discutindo como resolver, para que seja eficiente esse caminho”, disse Vilma Lelis.

Vilma Lelis conclui que, ao obter dados através das avaliações propostas, será possível ter uma noção mais precisa da prevalência do tracoma no Brasil.

*A repórter viajou a convite do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).