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Fraldas geriátricas de projeto prisional são testadas em MS

Iniciativa envolve reeducandos na produção para apoiar idosos e reduzir custos.

23/02/2026 às 12:44
Por: Redação

Em Mato Grosso do Sul, começou a fase de testes de fraldas geriátricas descartáveis produzidas no ambiente prisional. A ação integra o Projeto Desdobrar – Cuidado e Dignidade, com uma oficina instalada no Instituto Penal de Campo Grande (IPCG).

 

As primeiras remessas foram direcionadas ao Sirpha Lar do Idoso e ao Hospital São Julião, beneficiando pessoas em situação de vulnerabilidade. A operação conta com dez reeducandos treinados pela equipe do Sirpha para confeccionar as fraldas.

 

Foram produzidas 1.760 fraldas, distribuídas em 220 pacotes contendo oito unidades cada. Esses materiais têm apenas fins experimentais, sendo usado por um grupo de controle composto por idosos do IPCG e das instituições atendidas.

 

Rodrigo Rossi Maiorchini, diretor-presidente da Agepen, destacou que a organização possui mais de 7 mil internos participando de atividades laborais e mais de 4 mil em programas educacionais. Ele ressaltou que a ocupação laboral é fundamental para a reinserção social dos custodiados.

 

O projeto, idealizado pelo juiz José Henrique Kaster Franco da 4ª Vara Criminal, começou a ser estruturado em 2025. Visa adotar a mão de obra do regime fechado para produzir fraldas geriátricas, promovendo capacitação e, futuramente, remuneração aos participantes.

 

A iniciativa tem o apoio da Agepen, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), do Sirpha Lar do Idoso e da Prefeitura de Campo Grande. Os procuradores municipais estão analisando como viabilizar a compra de materiais e a remuneração dos internos.

 

O juiz Franco destacou o progresso do trabalho prisional, que hoje colabora com aproximadamente 250 empresas, ampliando as oportunidades para os apenados.

 

Ivan Nery de Queiroz, presidente do Sirpha, sublinhou a elevada demanda por fraldas geriátricas para os 83 idosos atendidos. Uma média de 240 fraldas é usada diariamente pelos cuidadores, considerando que cada idoso utiliza até quatro unidades por dia.

 

Os testes das fraldas priorizam a utilização noturna para avaliar a absorção e a eficiência contra vazamentos. Queiroz lembrou que muitos dos atendidos têm idade avançada, exigindo produtos de qualidade para preservar conforto e dignidade.

 

Após a avaliação, um relatório será elaborado a partir de questionários com usuários e equipes, permitindo ajustes antes de expandir a produção. O foco é assegurar a segurança e o conforto dos produtos.

 

“A iniciativa materializa os princípios da Lei de Execução Penal e demonstra a força da cooperação entre instituições”, afirmou Maria de Lourdes Delgado Alves, diretora de Assistência Penitenciária.

A parceria com a Agepen também já beneficia o Hospital São Julião, com produção de enxovais hospitalares. Segundo Jéssica Mendes, superintendente de Gestão, as fraldas representam uma parte significativa dos custos hospitalares no SUS.

 

Com a entrega dessas fraldas teste, o Projeto Desdobrar avança, fortalecendo um modelo cooperativo e interinstitucional focado na qualidade e na dignidade humana.

 

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